quinta-feira, 22 de maio de 2008

LIMODORUM TRABUTIANUM















Reguengo do Fetal, Batalha, Estremadura, 01/05/08.
A Limodorum trabutianum Battandier, com rizoma curto e abundantes raízes grossas, fasciculadas, possui caule com 10 - 39 (75) cm de altura e 0,4 - 1,4 cm de espessura, verde-violeta, bastante pálido, estriado com numerosos traços violetas escuros. Caule revestido por bainhas escamiformes numerosas, invaginantes. Bráctea da flor basal com (1,7) 2,6 cm de comprimento por 0,4 - 1 cm de largura, mais curta ou mais comprida que o ovário, de acuminada a obtusa. Inflorescência 8 - 45 cm de altura, com 3 - 25 flores pouco abertas, erectas verticalmente. Sépalas com 1,1 - 2,5 cm de comprimento por 0,3 - 0,7 cm de largura, oblongo-lanceoladas, por vezes oblongas e obtusas, violetas, com pêlos glandulosos curtos e dispersos no exterior. Pétalas laterais com 1,1 - 1,7 cm de comprimento por 1 - 3 cm de largura, de lineares a lanceoladas, obtusas, de um branco lilás. Labelo com 13 - 18 mm de comprimento por 3 - 5 mm de largura, não articulado, de linear a lanceolado ou espatulado, não contraído na base, com ápice crenado, de um branco lilás com nervuras violetas. Esporão rudimentar, 0,5 - 3 (4) mm, muito curto ou subnulo e saciforme. Ginostémio 1,2 - 1,5 cm, mais ou menos cilíndrico, um pouco dilatado para o ápice, suberecto, glabro, de um branco violeta, com 3 estaminódios petalóides, dois laterais e um ventral. Estigma 2 - 3 mm, elíptico. Antera com 4 - 4,5 mm de comprimento por 2,5 - 3 mm de largura, semi-ovóide. Ovário 0,7 - 2 cm, de verde a violeta, com pêlos glandulosos e dispersos pelo ápice.
Planta de meia-sombra, em solos calcários e frescos: sob cobertos de matas e matos, assim como nas orlas e clareiras.
Ocorre na Beira Alta, Beira Litoral, Estremadura e Ribatejo.
Imagens registadas por António Fael em Venda do Negro, Ansião, Beira Litoral, a 26/04/08.

domingo, 11 de maio de 2008

FLORES-DOS-PASSARINHOS

A Ophrys scolopax Cavanilles tem 2 (3) tubérculos subglobosos, sésseis ou subsésseis. Caule com 10 - 50 (60) cm, erecto, ligeiramente curvo. Folhas basais lanceoladas, agudas. Brácteas inferiores com 24 - 47 mm de comprimento por 5 - 7,5 mm de largura, oblongas a lanceoladas, subigualando as flores, verde-claras. Inflorescência comprida, 3 - 12 flores medianas. Sépalas brancas, rosa, lilás, púrpura-violetas, raramente esverdeadas, oval-lanceoladas, bordos refexos, 9 - 15 mm de comprimento, 5 - 9 mm de largura, patentes, um pouco côncavas. Pétalas com 3,5 - 6 mm de comprimento por 1,5 - 3 mm de largura, erectas, linear-triangulares, densamente vilosas na face adaxial, mesmo tom ou mais escuro que as sépalas, às vezes rosadas na base. Labelo de subhorizontal a pendente, trilobado, 9 - 14 mm de comprimento, 10 - 15 mm de largura, castanho-avermelhado-claro a púrpura-anegrado-escuro. Lobos laterais pequenos, agudos, de forma cónica, 2 - 4 (5) mm de comprimento, erectos, um pouco curvados para a frente, glabros e esverdeados por dentro, por fora com pilosidade comprida e densa. Lobo médio ovado, com maior largura na zona média, muito convexo transversalmente, pilosidade marginal densa, bastante comprida. Mácula basal de cinzento-azulada a castanho-púrpura, brilhante, bordada de amarelo, verde ou branco, variada, às vezes fragmentada, outras bastante simples, frequentemente em forma de H ou de X, mais ou menos grossa, rodeando o campo basal de castanho-escuro a vermelho-esverdeado, emarginada no ápice, às vezes prolongada por 2 pontos isolados por cima do ápice. Ápice grosso, mais ou menos agudo, mais ou menos tridentado, estreito na base, amarelo-esverdeado. Cavidade estigmática um pouco mais larga que comprida, escura, com 2 pseudo-olhos negros, brilhantes. Ginostémio 6,5 - 8,5 mm, verde ou de um verde amarelado no dorso e amarelo ou de um verde amarelado nos lados, com apículo de 1,2 - 2 mm, recto ou levemente curvo, agudo.
Planta de sítios soalheiros ou de meia-sombra, em solos geralmente calcários: arrelvados, clareiras de matagais.
Ocorre na Beira Litoral, Estremadura e Algarve.
Imagens registadas na Serra do Rabaçal, Soure, Beira Litoral, a 16/04/08.


A Ophrys picta Link é como O. scolopax, no entanto é uma planta mais grácil, de labelo pequeno, estilizado, pétalas laterais estreitas e, geralmente, com a margem do labelo glabra. Caule com 15 - 40 cm de altura. 4 - 12 flores pequenas, colorid
as como as da O. scolopax. Sépalas de branco a rosa ou lilás, raramente escuras, 7 - 12 mm de comprimento, 4 - 6 mm de largura. Pétalas vilosas, erectas, muito estreitas, triangular-lanceoladas, com os bordos enrolados, 2,5 - 5 mm de comprimento, 1 - 2 mm de largura, do mesmo tom ou mais escuras que as sépalas, frequentemente rosadas na base. Labelo de subhorizontal a pendente, não parecendo tão pequeno em comparação com as sépalas e cavidade estigmática, 7 - 11 mm de comprimento, 7 - 11,5 mm de largura, mais escuro, de castanho a púrpura-anegrado-escuro. Lobos laterais não parecendo tão minúsculos. Lobo médio muito convexo transversalmente, mais ou menos globoso no centro, com maior largura na zona média, parecendo estreitamente elipsóide, ornamentado, com uma pilosidade submarginal densa, completa, bastante comprida, vermelha. Mácula nítida, geralmente não fragmentada, azul-acinzentada brilhante. Cavidade estigmática castanho-avermelhada. Ginostémio 6 - 8 mm, verde ou de um verde amarelado no dorso e amarelo ou de um verde amarelado nos lados, com apículo de 1 - 1,7 mm, recto ou levemente curvo, agudo.
Planta de sítios soalheiros ou de meia-sombra, em solos geralmente calcários: arrelvados, clareiras de matagais.
Ocorre em Trás-os-Montes e Alto Douro, Beira Alta, Beira Litoral, Estremadura, Ribatejo e Algarve.
Imagens registadas em Reguengo do Fetal, Batalha, Estremadura, a 01/05/08.

sábado, 26 de abril de 2008

DACTYLORHIZA INSULARIS

A Dactylorhiza insularis (Sommier & Martelli) Landwehr possui 2 tubérculos, com 14 - 27 mm de comprimento por 9 - 17 mm de largura, cilíndrico-oblongos, subinteiros e dentados no ápice. Caule erecto, com 20 - 50 cm de altura, folhoso, verde. 5 - 9 folhas suberectas, com (4,3) 5 - 13 (16) cm de comprimento por 1 (1,2) - 1,7 (2) cm de largura, de um verde claro, não manchadas, as inferiores oblanceolado-obovadas a estreitamente oblanceoladas, geralmente em falsa roseta, as superiores lanceolado-lineares, bracteiformes. Brácteas inferiores linear-lanceoladas, verdes, mais compridas que as respectivas flores. Inflorescência subcilíndrica, um tanto frouxa, com 8 - 14 (18) flores amarelas. Sépalas externas laterais com 7 - 10 mm de comprimento por 3,5 - 5 mm de largura, assimétricas, oblongas, de um amarelo pálido; a sépala dorsal com 6 - 9 mm de comprimento por 2,2 - 4,6 mm de largura, subigual, de um amarelo pálido, formando uma gálea com as internas. Pétalas laterais com (5,5) 6 - 6,9 (9) mm de comprimento por (2,6) 3,3 - 4,2 (5) mm de largura, assimétricas, mais ou menos oblongas, de um amarelo pálido. Labelo com (5,2) 7 - 8,1 (9,3) mm de comprimento por (5) 10 - 11,8 (12) mm de largura, mais ou menos igual ou um pouco mais curto que o esporão, de contorno arredondado ou reniforme, trilobado (lobos laterais mais curtos que o central), unicolor, de um amarelo pálido, geralmente com 2 - 4 (8) máculas vermelhas na sua base, punctiformes ou em forma de linha, desenhando linhas mais ou menos paralelas. Esporão cilíndrico, com (7) 7,3 - 8,6 (10) mm de comprimento por (1,7) 1,9 - 2,5 (2,9) mm de largura, distintamente mais curto que o ovário, recto a ligeiramente arqueado, forma com o labelo um ângulo de 130º a 180º, de um amarelo pálido. Ovário com (10,5) 12 - 13,5 (14,5) mm de comprimento por (1,6) 1,7 - 2 (2,6) mm de largura.
Espécie de plena luz a meia sombra, em solos básicos ou ácidos: carvalhais semi-caducifólios, castinçais.
Ocorre em Trás-os-Montes e Alto Douro e na Estremadura. É muita rara e necessita urgentemente de ser protegida.
Imagens registadas na Serra de Montejunto, Cadaval, Estremadura, a 25/04/08.

terça-feira, 22 de abril de 2008

TESTÍCULO-DE-CÃO

A Orchis champagneuxii Barnéoud é uma planta delgada, 10 - 25 (40) cm de altura, geralmente com 3 tubérculos, sendo 1 séssil e 2 longamente pediculados. 5 - 9 folhas basais suberectas, não pintalgadas, lanceoladas, com 3 - 8 cm de comprimento por 0,7 - 1,5 cm de largura. 2 - 3 folhas caulinares, mais pequenas, amplexicaules. Brácteas membranáceas, violáceas, um pouco menos compridas que o ovário. Inflorescência frouxa, pauciflora. Gálea ovóide, fechada, de violeta a púrpura, raramente rosa, com nervuras verde-violáceo. Sépalas ovais, com 6,5 - 10 mm de comprimento por 3 - 5 mm de largura. Pétalas com 4,5 - 6,5 mm de comprimento. Labelo trilobado, mais largo que comprido, com 6 - 8,5 mm de comprimento por 11 - 14 mm de largura, conduplicado longitudinalmente, com a parte central clara mas não pintalgada, por vezes com manchas ténues. Lobos laterais da mesma cor que a gálea, arredondados, às vezes denticulados. O lobo médio quase tão largo como os laterais. Esporão grosso, 10 - 15 mm de comprimento, 1,5 - 2 vezes mais comprido que o labelo, distintamente espatulado e por vezes emarginado, ascendente, subvertical, cilíndrico, de recto a um pouco arqueado, com o ápice dilatado e frequentemente bilobado.
Planta de sítios soalheiros a um pouco sombrios, em solos de alcalinos a ácidos, de secos a frescos: descampados, matagais altos e bosques claros.
Ocorre em Trás-os-Montes e Alto Douro, Beira Alta, Beira Litoral, Estremadura, Ribatejo, Alto Alentejo, Baixo Alentejo e Algarve.
Imagens registadas na Serra do Rabaçal, Soure, Beira Litoral, a 16/04/08.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

OPHRYS TENTHREDINIFERA #2

A Ophrys tenthredinifera Willdenow var. ficalhoana Guimarães é de floração mais tardia que a O. tenthredinifera var. praecox. Possui flores grandes e muito coloridas. O labelo é quase quadrangular, mais largo que comprido, até 23 mm de largura.
Planta de sítios soalheiros a ensombrados, em solos alcalinos a levemente ácidos, de secos a frescos: clareiras de matagais e de bosques.
Ocorre na Beira Litoral, Estremadura, Ribatejo, Alto Alentejo, Baixo Alentejo e Algarve.
Imagens registadas na Serra de São Francisco, Palmela, Estremadura, em 27/03/08.

terça-feira, 8 de abril de 2008

UM PEDAÇO DE SICÓ

Zona da Lagarteira, Ansião, Beira Litoral, 29 de Março de 2008.


Orchis italica

Aceras anthropophorum

Ophrys lutea

Ophrys tenthredinifera var. praecox


Venda do Negro, Ansião, Beira Litoral, 6 de Abril de 2008.

Cephalanthera longifolia

Dactylorhiza sulphurea


Neotinea maculata


Orchis mascula


Ophrys scolopax


Orchis italica


Imagens registadas por António Fael.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

UMA RARIDADE-ARANHA

A Ophrys incubacea Bianca possui 2 (3) tubérculos, subglobosos, um séssil e outro terminando num pequeno pedículo. Tem (15) 20 - 45 (60) cm de altura e caule erecto. Folhas basais com 5,5 - 11,5 cm de comprimento por 1,8 - 4,5 cm de largura, ovado-lanceoladas, obtusas, geralmente apiculadas. Brácteas inferiores com 15 - 45 mm de comprimento por 3 - 48 mm de largura, um pouco mais largas que o ovário, oblongo-lanceoladas, verde-claras. Inflorescência com 3 - 8 flores. Sépalas esverdeadas, um pouco esbranquiçadas, raramente rosas, patentes, ovado-lanceoladas, glabras, com 10 - 15,5 mm de comprimento por 4 - 7,5 mm de largura. Pétalas triangulares, subglabras, acastanhadas, mais escuras que as sépalas, com (5) 6 - 9,5 mm de comprimento por (1,5) 2,5 - (2,7) 5 mm de largura, bordos mais ou menos fortemente ondulados, por vezes tingidos de vermelho. Labelo com 9 - 14 mm de comprimento por (6) 10 - (12) 15 mm de largura, descaído, obovado, mais ou menos plano, inteiro ou obscuramente trilobado, sem apículo no ápice, viloso na parte média e aveludado nas margens, castanho-anegrado; saliências triangulares, nítidas, até 4 mm de altura, glabras por dentro; mácula violácea-azulada, brilhante, mais ou menos em forma de H. Ginostémio com apículo de 0,5 - 0,7 mm de comprimento, recto e agudo. Ovário cilíndrico, pouco retorcido; campo basal e cavidade estigmática da mesma cor que o centro do labelo, contrastando com a brancura dos bordos; cavidade estigmática muito estrangulada na base, paredes externas brancas.
Planta de sítios soalheiros ou de meia sombra, em solos básicos, de secos a frescos: bosques claros, prados, matagais altos.
Ocorre na Estremadura, Alto Alentejo e Baixo Alentejo.

Imagens registadas na Serra de São Francisco, Palmela, Estremadura, em 27/03/08.